Havaianas polêmica: O Chinelo que Tropeçou na Polarização
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Havaianas polêmica: O Chinelo que Tropeçou na Polarização

Anderson Rocha
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Anderson Rocha

Redação ClubVip

Se havia algo que unia o brasileiro — da Faria Lima ao vendedor de mate na praia — era o par de Havaianas. Era. Porque, ao que tudo indica, em 2025, até o chinelo de dedo precisa passar pelo crivo ideológico antes de entrar em casa. A mais nova "guerra cultural" tupiniquim não envolve leis ou reformas, mas sim uma propaganda de fim de ano, a atriz Fernanda Torres e uma expressão idiomática que, subitamente, virou munição política.

A internet, esse tribunal que nunca entra em recesso, decidiu que a Havaianas "lacrou" demais. O resultado? A marca é o assunto mais falado do momento (Top Trend no Google), as ações da Alpargatas sentiram o golpe e o termo "boicote" está sendo digitado com a fúria de quem acabou de arrebentar a correia no meio da rua.

O Crime: "Não comece com o pé direito"

Para quem estava em uma caverna (ou sem Wi-Fi) nas últimas 24 horas, eis o resumo da ópera. A Havaianas lançou sua campanha de Ano Novo estrelada por Fernanda Torres — atriz que, convenhamos, já vinha "alugando um triplex" na cabeça da direita brasileira desde o lançamento do filme Ainda Estou Aqui.

No comercial, Fernanda solta a frase que detonou a bomba nuclear nas redes sociais:

"Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito. [...] O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés. Os dois pés na porta..."

Para um publicitário ingênuo, era apenas um jogo de palavras. "Pé direito" é sorte, mas "dois pés" é intensidade, é chegar com tudo. Para o Brasil polarizado de 2025, no entanto, a interpretação foi outra: "Pé direito" = Direita Política. Logo, sugerir não começar com o pé direito seria uma mensagem subliminar (nem tão subliminar assim, segundo os críticos) contra o espectro conservador, especialmente em um ano pré-eleitoral decisivo como 2026.

A Reação: #BoicoteHavaianas e a Guerra dos Chinelos

A resposta foi imediata e coordenada. Parlamentares da oposição e influenciadores conservadores, como Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira, não deixaram a piada passar batida. A narrativa se formou rápida como cola instantânea: a Havaianas teria "esquerdado", desrespeitado seus consumidores patriotas e entrado para o time das empresas "woke".

O que se viu a seguir foi um espetáculo de reações que beira o tragicômico. Vídeos de consumidores prometendo jogar seus chinelos no lixo (embora, sejamos honestos, ninguém joga fora uma Havaianas velha; ela vira prego no solado ou brinquedo de cachorro). Surgiram até listas de "alternativas patriotas", sugerindo a migração para marcas concorrentes como a Ipanema — ignorando solenemente que, no capitalismo globalizado, é bem provável que os donos da concorrência almocem nos mesmos restaurantes que os donos da Alpargatas.

Mas o impacto não ficou só nos memes. O mercado financeiro, que tem a sensibilidade de um cristal, reagiu. As ações da Alpargatas registraram queda, com perdas estimadas em milhões de valor de mercado em questão de horas. A lição que fica para o investidor é clara: a análise fundamentalista agora precisa incluir o "Risco Lacração" no cálculo do Valuation.

Ideologia vs. Mercado: A "Síndrome de Arezzo"

Não é a primeira vez que isso acontece, e certamente não será a última. O caso Havaianas remete a polêmicas anteriores, como a da Arezzo ou da Natura. O fenômeno segue um roteiro previsível:

  1. A Marca quer Rejuvenescer: Tenta falar a língua dos "jovens modernos" e abraça pautas progressistas ou estéticas disruptivas.
  2. O Choque de Realidade: A base de consumidores massiva (o "Brasil profundo") muitas vezes é conservadora e não entende a "arte" ou a "metáfora".
  3. O Boicote Digital: Hashtags sobem, políticos capitalizam em cima, e o time de PR (Relações Públicas) entra em pânico.

A grande questão para os empreendedores e gestores que acompanham o ClubVip.pro é: vale a pena?

Há quem diga que "falem mal, mas falem de mim". A Havaianas está na boca do povo. A esquerda, em resposta ao boicote da direita, promete comprar mais chinelos (o que deve gerar um Natal curioso: "Toma, vó, um chinelo antifascista"). No fim, a polarização política virou estratégia de vendas. Divide-se o país, mas multiplica-se o engajamento.

Conclusão: O Chinelo de Schrõdinger

A Havaianas agora vive um estado quântico: para metade do país, é um símbolo de resistência cultural e sofisticação (graças à Fernanda Torres); para a outra metade, é a encarnação do "comunismo de butique".

Para o empresário pequeno, a lição é de cautela. A Alpargatas tem caixa para aguentar um tranco na Bolsa e esperar a poeira baixar até o Carnaval. O seu negócio, talvez não. Num mundo onde a cor da camisa ou o pé que se usa para dar o primeiro passo viram manifesto político, a neutralidade se tornou um ativo de luxo.

Enquanto a internet discute se devemos entrar em 2026 com o pé direito, esquerdo ou plantando bananeira, a única certeza é: a ideologia pode até não encher barriga, mas com certeza esvazia prateleiras — ou derruba ações. Resta saber se, no final das contas, o brasileiro vai mesmo abrir mão do conforto de borracha por causa de uma metáfora ruim. Spoiler: provavelmente não.

Benjamin Graham e Warren Buffett fariam o quê nessa hora?

Se pudéssemos consultar o além ou ligar para Omaha agora, a resposta seria uma aula de sangue frio. Para Benjamin Graham, o pai do Value Investing, o episódio da Havaianas seria um exemplo didático do comportamento maníaco-depressivo do "Sr. Mercado" (Mr. Market). Graham ensinava que o mercado, no curto prazo, é uma "máquina de votação" (movida a popularidade, medo e, neste caso, hashtags), mas no longo prazo é uma "balança de precisão" (que pesa lucros reais).

Graham olharia para os fundamentos: a fábrica pegou fogo? A borracha perdeu a qualidade? A empresa parou de vender? Se a resposta é "não", mas o preço da ação caiu por puro ruído ideológico, ele veria uma margem de segurança se abrindo. O valor intrínseco da empresa permanece, enquanto o preço ficou promocional.

Já seu pupilo mais famoso, Warren Buffett, provavelmente estaria afiando os dentes. Sua máxima "seja ganancioso quando os outros estão com medo" cai como uma luva aqui. Buffett analisa o "fosso econômico" (moat) — a vantagem competitiva durável. A pergunta dele seria simples: "Daqui a 10 anos, as pessoas ainda vão usar Havaianas ou vão andar descalças porque ficaram bravas com uma atriz em 2025?". A força da marca Havaianas é colossal, quase um monopólio da mente do consumidor. Para a dupla dinâmica dos investimentos, vender uma empresa sólida só porque o marketing tropeçou na política não é estratégia; é histeria. Enquanto a internet clama pelo cancelamento, o investidor inteligente cogita "boletar" na baixa.

Sim, mas compro ou não compro?

Se você é de esquerda e quer comprar pra "apoiar a causa", ou se é de direita e precisa comprar um par novo escondido pra repor aquele que você jogou fora no vídeo do Instagram (a gente sabe que você se arrependeu), o que importa é pagar barato. Dinheiro não tem ideologia e o seu conforto também não.

Não seja o bobo da corte nessa briga de gigantes. Enquanto os acionistas surtam e o Twitter pega fogo, você aproveita as ofertas. Temos cupons para as maiores lojas do Brasil (C&A, Renner, Riachuelo, Amazon e outras) que vendem Havaianas e muito mais.

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